26/11/2009 - 15:48h - O que elas querem é consumir. A intenção desta reportagem é desvendar o universo das crianças consumidoras

Ampliar

Alterar tamanho da letra     A     +A     ++A

A pequena Bianca Caroline com apenas 2 anos e meio não resiste aos atrativos das vitrines do comércio local. Amparada pelos braços da mãe Vera, a sorridente Bianca – ainda de poucas palavras -, já aponta para o que mais gostou. De acordo com Vera, geralmente os itens que mais chamam a atenção da sua filha são aqueles exibidos pela televisão. A mãe explica que o apelo publicitário é tamanho, que por mais que a família compre um produto parecido no lugar do original, a pequena sabe distinguir. A mãe lembra que na idade da Bianca a preferência das crianças não é o brinquedo, tampouco vestuário, mas sim produtos alimentícios.

Diante disto, Vera aconselha que os pais imponham limites as crianças. Mãe de dois filhos, ela lembra que o mais velho, hoje com 20 anos de idade, aprendeu desde cedo os seus limites, em especial o financeiro. “O que eu percebo é que a criança, hoje, esta se igualando ao adulto no consumismo”.

O pensamento de Vera não é o único. Inúmeras famílias espelhadas pelo mundo todo têm a mesma preocupação. Para tanto, a intenção desta reportagem é desvendar o universo das crianças consumidoras.

Pesquisa

Uma pesquisa divulgada pela Cartoon Network realizada entre 2004 e 2006 com 1.200 crianças, com idades entre 6 e 11 anos, revela que “as crianças não só influenciam os pais na hora de consumir, como também já são consumidoras ativas e, muitas vezes, gastam o próprio dinheiro (mesada)”. Os dados estão disponíveis no endereço eletrônico http://web.infomoney.com.br/templates/news">http://web.infomoney.com.br/templates/news.

Compra, por favor, compra...

O verbo comprar é, sem dúvidas, uma das palavras mais utilizada pelas crianças. As frases são as mais variadas como “Pai, vamos levar a bicicleta ....”, “Mãe, compra, por favor, compra... !”  Certamente você já deve ter vivenciado uma cena como esta durante um passeio pelo comércio local não é mesmo? O fato de ouvir os incessantes pedidos infantis virou um fenômeno global. As crianças são vistas, hoje, como um atraente público consumidor. O motivo: são eles que mandam no bolso.

Perfis

O comportamento das crianças diante dos pais pode ser classificado em três perfis: rebeldes, estrategistas e os compreensivos, sendo que neste último de cada dez crianças, apenas três fazem parte desse grupo.

Produtos mais pedidos

Já um estudo realiza pela InterScience feito com 500 famílias brasileiras com filhos entre 6 e 15 anos, revela quais são os produtos mais pedidos pelos pequenos consumidores. Em primeiro lugar biscoitos/ bolachas (87%), refrigerantes (75%) e salgadinhos (70%). Já os fatores que determinam
a escolha infantil são os seguintes: propaganda na TV (73%), personagem famoso (50%) e embalagens (48%).

Eletrônicos preferidos

O visual do pequeno Lucas Carlos nos mostra que ele esta sintonizado com a moda do momento. De cabelos arrepiados e com um sorriso que esbanja simpatia, a criança – que de informática entende mais que um adulto -, esta antenado com o universo eletrônico. O celular está entre os seus preferidos. Segundo conta a sua mãe, Alessandra Beatriz Deitos, o celular lidera a lista de pedidos de Lucas.“Hoje ele está com cinco anos. Prometi que quando ele completar dez anos de idade, ou seja, quando completar as duas mãozinhas de idade, eu vou pensar em comprar o celular. Acredito que dez anos ainda é muito cedo para ele se envolver com este mundo tecnológico, mas fazer o que? As crianças de hoje conseguem manusear os aparelhos como muita facilidade no caso do computador, vídeo-game entre outros. O Lucas fica impressionado com o fato de mandar mensagem pelo celular, ele acha algo incrível”.

Ainda, segundo a pesquisa da InterScience cerca de 36% das famílias brasileiras têm pelo menos um filho com celular.

Televisão, a senhora influente 

Alessandra acredita que o poder que as imagens exercem é fator determinante para os pedidos do filho. Quem compartilha pela mesma opinião é o jornalista e mestre em comunicação, Lucio K. dos Passos. O mestre explica que a televisão influencia pelo fato de que as crianças são muito mais visuais do que os próprios adultos. “Vivemos numa sociedade essencialmente imagética, onde uma criança é capaz de decodificar uma mensagem em uma propaganda com muita facilidade, mesmo sem saber ler. Sempre há o desejo de compra ou de possuir algo, mas existem brinquedos que são visualmente atraentes e funcionalmente não, ou seja, gasto desnecessário”.

Linguagem dos filhos

O mestre em comunicação orienta para que os pais falem a linguagem de seus filhos e procurem saber o que eles estão assistindo. “Eu, por exemplo, assinto um pouco de desenho com o meu filho para saber que tipo de comercial está sendo veiculado no horário e também de onde surgem tantos desejos. Acredito que é uma forma de driblar os apelos e deixar claro que a vida não é só brinquedo. Infelizmente pelo custo alto não vemos anúncios publicitários de incentivo a prática de esportes, leitura ou atividades culturais. Penso que mostrar outras formas de entretenimento para o seu filho pode ser uma saída. Passear com o seu filho vai custar muito menos que uma fábrica de comida de massinha ou coisa parecida”.

Porque elas são consumidoras?

A psicóloga de Porto União e União da Vitória, Marinea Maria Fediuk, explica que os pais devem compreender em primeiro lugar pelo qual motivo os filhos desejam algo, o que significa querer por necessidade ou para chamar a atenção. “A maioria das vezes as crianças pedem um produto, sendo que o que elas mais precisam é de atenção. Então elas querem algo justamente para chamar a atenção dos pais, pois não conseguem elaborar de forma clara o que falta à elas. É muito importante que os pais observem os seus filhos  e saibam até os que eles assistem”.

Enquete - A televisão influencia na educação das crianças?

Gislaine de Fátima Schneider, funcionária pública
“Influencia em partes. Tem muitos desenhos que ensinam malandragens e também têm outros que agregam conhecimentos. É difícil responder. Estou em cima do muro”.

Valdecir Pinto, gerente
“Influencia e muito. Pois na maioria das vezes os pais não ficam muito tempo próximo dos filhos, enquanto a televisão esta o dia todo”.

Jucimara Garbos, estudante
“Influencia. A televisão por ser uma mídia manipula tanto as crianças, quanto os adultos, fazendo eles acreditarem  em uma realidade que muitas vezes não pode ser acessível a todos, no caso das marcas infantis. A televisão é muito negativa para as crianças, pois não traz mais nada de notícias, nos telejornais virou em desgraça e morte, roubo entre outros, e as demais programações viraram sensacionalismo”.

Créditos: Wannessa Stenzel

 
 
 

capa   |   notícias   |   agenda   |   institucional   |   programação   |   colunas   |   fale conosco

Copyright © 2010 RÁDIO UNIÃO AM | Todos os direitos reservados

Desenvolvido por Meluco.com